quarta-feira, 2 de junho de 2021

Tesla, de Elon Musk, segue Apple e guarda dados de chineses só na China | Negócios | Tecnoblog

A Tesla, do bilionário Elon Musk, é mais uma das gigantes de tecnologia que planeja guardar dados de seus clientes chineses apenas na China. A montadora disse, em comunicado na plataforma de microblog Weibo, que já estabeleceu um centro de dados no país e pretende abrir mais servidores para “armazenar dados localmente”. Informações de chineses que comprarem carros ficarão restritas ao uso doméstico.

Logo da montadora de carros autônomos Tesla (Imagem: Ivan Radic/Flickr)

Lidar com o armazenamento de dados por todo mundo levanta questões éticas e legais sobre o relacionamento entre governos e grandes empresas de tecnologia; na China, essa salvaguarda é uma dor de cabeça para a Apple, por exemplo. Ela entregou a base de informações de seus consumidores chineses a servidores controlados por firmas estatais de cloud; e tem sido alvo de fortes críticas, como a de Pavel Durov, fundador do Telegram. Uma investigação do New York Times revelou que o governo pode ter fácil acesso a esse enorme banco de dados, o que a fabricante do iPhone nega. Seu CEO, Tim Cook, defendeu a parceria no julgamento Epic vs Apple.

A estratégia da Tesla responde a uma nova legislação da China sobre dados coletados a partir de câmeras e sensores de carros autônomos. Uma das exigências é de que essas informações permaneçam no país. Não está claro qual será o nível de acesso a autoridades do governo chinês aos servidores da montadora americana.

Segundo a China, “dados importantes” gerados por veículos autônomos incluem condições do tráfego em volta de instalações militares ou do governo; dados de vigilância e mapeamento geográfico para além do que o governo revela; status de estações elétricas usadas para recarregar o carro; rosto, voz e placa de licenciamento do veículo; e qualquer informação que afete a segurança nacional ou de interesse público.

A Tesla na China enfrentou recentemente uma onda de comentários negativos após uma cliente reclamar sobre seu carro defeituoso em uma feira de automóveis em Xangai. A insatisfação viralizou na Internet e ganhou coro nas redes sociais chinesas, prejudicando a imagem da empresa de Elon Musk.

As vendas da Tesla no país asiático apresentaram queda de pouco mais de um quarto de março a abril. A China é o segundo maior mercado da fabricante de carros inteligentes; em 2020, foi 21% do total de vendas da montadora no mundo. Chineses gastaram US$ 6,6 bilhões em produtos da Tesla em 2020 – o equivalente a quase R$ 32 bilhões.

Com informações: TechCrunch

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