terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Criptomoedas atuais não são duradouras, diz presidente do BC inglês | Finanças | Tecnoblog

Andrew Bailey, presidente do Banco Central da Inglaterra, afirmou que nenhuma criptomoeda existente no momento possui uma estrutura que a permita funcionar como uma forma de pagamento a longo prazo. A fala ocorreu durante uma sessão online da cúpula de Davos a respeito de moedas digitais, promovida pelo Fórum Econômico Mundial nesta segunda-feira (25).

“Criptomoedas atuais não são duradouras”, afirma presidente do Banco Central inglês (imagem: Hawksky/Pixabay)

A importante figura no cenário econômico global levantou um questionamento: “Chegamos a um design, administração e preparação para o que eu pudesse chamar uma moeda digital de duradoura?”. Para sua própria pergunta, Bailey respondeu que não acredita que as criptomoedas atuais, da maneira como foram originalmente formuladas, atingiram esse objetivo.

O presidente do Banco da Inglaterra concluiu então que nenhuma criptomoeda existente no momento poderá funcionar como um verdadeiro meio de pagamento global a longo prazo. A principal razão para isso é a inevitável volatilidade que elas apresentam. Sua possível solução para o problema seria a criação das chamadas CBDCs, moedas digitais vinculadas a Bancos Centrais, essencialmente institucionalizadas por um órgão financeiro estatal.

“Toda a questão das pessoas terem a segurança de que seus pagamentos serão feitos com algo de valor estável…no final das contas se vincula aos bancos e ao que chamamos de moedas fiduciárias, que possuem uma ligação ao Estado”, concluiu Bailey.

A fala do presidente não é grande surpresa. Bailey é um defensor das CBDCs e busca junto ao Banco Central Europeu criar uma estrutura regulatória que permita a implementação desse tipo de moeda digital.

Essas criptomoedas operariam na prática de maneira semelhante às convencionais, sem a mediação direta de instituições financeiras nas transações virtuais. Porém, existiriam sob a interferência e controle estatal para garantir que não se tornem ativos especulativos e se mantenham essencialmente como moedas de troca.

Bailey também levanta a questão que mais preocupa no momento reguladores internacionais — o nível de privacidade que usuários de criptomoedas deveriam ter. Diante de questionamentos de múltiplos governos sobre a facilitação do financiamento do terrorismo e da lavagem de dinheiro através de moedas digitais, Bailey afirma:

“Este (tópico) é um dos grandes que está se aproximando no horizonte: Toda a questão de padrões de privacidade para transações feitas através de qualquer forma de moeda digital e qual é o interesse público”. Ele não demonstra uma conclusão formada sobre o assunto, mas acredita que toda a situação foi “potencialmente subestimada” como o desfio que verdadeiramente representa.

Com informações: Reuters

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