sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Fux restabelece exigência do passaporte da vacina no Rio | InfoMoney

Desembargador havia cancelado a exigência ontem

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, restabeleceu o decreto da prefeitura do Rio de Janeiro que exige a apresentação da comprovação de vacinação contra a Covid-19 para acessar locais fechados, o chamado passaporte da vacina.

Ontem (29), o decreto foi suspenso por uma decisão do desembargador Paulo Rangel, do Tribunal de Justiça (TJ), em habeas corpus de uma pessoa que argumentou cerceamento de liberdade de locomoção.

Na decisão, Fux analisou recurso da procuradoria do município e reafirmou a posição do STF no sentido de que governadores e prefeitos têm competência para estabelecer medidas sanitárias contra a covid-19.

“A decisão atacada representa potencial risco de violação à ordem público-administrativa, no âmbito do município do Rio de Janeiro, dados seu potencial efeito multiplicador e a real possibilidade de que venha a desestruturar o planejamento adotado pelas autoridades municipais como forma de fazer frente à pandemia em seu território, contribuindo para a disseminação do vírus e retardando a imunização coletiva pelo desestímulo à vacinação”, decidiu o ministro.

Na decisão que suspendeu a exigência do passaporte da vacina para frequentar alguns ambientes públicos, o desembargador afirmou que a exigência da comprovação da vacina “se assemelha a comportamentos históricos ligados à escravidão, que remontam à tirania e à ditadura”.

“Se no passado existiu a marcação a ferro e fogo dos escravos e gados através do ferrete ou ferro em brasas, hoje é a carteira da vacinação que separa a sociedade. O tempo passa, mas as práticas abusivas, ilegais e retrógradas são as mesmas. A carteira de vacinação é um ato que estigmatiza as pessoas, criando uma marca depreciativa e impedindo-as de circularem pelas ruas livremente, com nítido objetivo de controle social. É uma ditadura sanitária. O decreto quer controlar as pessoas e dizer, tiranicamente, quem anda e não anda pelas ruas da idade”, sustentou o magistrado.

Após a decisão, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, disse que a liminar do magistrado não levou em consideração o momento epidemiológico da pandemia.

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Guedes critica Itamaraty e diz que economia é uma das mais fechadas do mundo | InfoMoney

Ele ressaltou que o Brasil está discutindo a "modernização do Mercosul". As mudanças no bloco são justamente o pano de fundo das críticas de Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou o Ministério das Relações Exteriores e a Pasta liderada por ele por permitirem que a economia brasileira se mantenha fechada “por 30 anos”. Em cerimônia nesta quinta-feira no Itamaraty, Guedes disse que o Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo. “É uma falha de todos nós. O Itamaraty é o grande condutor, como permitiu esse fechamento (da economia brasileira)?”, afirmou.

Guedes falou em evento que marca o lançamento do Pavilhão do Brasil na Expo 2020 Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Ele ressaltou que o Brasil está discutindo a “modernização do Mercosul”. As mudanças no bloco são justamente o pano de fundo das críticas de Guedes.

Como já mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o ministro pressiona a Argentina a reduzir a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, que é a taxa cobrada pelos integrantes para importar produtos de fora do grupo.

No início do ano, Guedes queria uma redução de 20% na TEC, hoje, em média, em 14%. Agora, já fala em reduzir 10%.

O ministro quer que isso seja feito até o fim do ano, período em que o Brasil está à frente da presidência do Mercosul, mas, como as mudanças de regras têm que ser feitas por unanimidade, vem enfrentando dificuldades.

Guedes disse ainda que o evento em Dubai é uma oportunidade de o Brasil se conectar ao Oriente Médio e Ásia. “Estamos nos conectando com uma região que pode ser, não só um hub de exportações, mas também de recebimento de investimentos financeiros.”

Em um momento em que o Mercosul negocia um acordo comercial com a Índia, Guedes disse que o Brasil tem tudo para se aproximar do país, assim como fez com a China.

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“Ainda não estamos vendo o movimento que gostaríamos de ver no Brasil”, diz VP da rede de hotéis Marriott International | InfoMoney

Ricardo Caló, vice-presidente da empresa para as Américas Central e do Sul, falou sobre os desafios atuais do setor hoteleiro no FII Talks 2021

SÃO PAULO – A indústria do turismo foi uma das que mais sofreram com as restrições impostas pela pandemia do coronavírus desde 2020. Nem as grandes empresas do setor escaparam das consequências do período. Foi o caso do Marriott International, que opera uma das maiores redes de hotéis do mundo, com mais de 7.600 propriedades e 1,4 milhão de quartos. As operações da empresa na América Latina chegaram a cair mais de 70% desde a emergência sanitária se estabeleceu.

“Para contextualizar, a situação da América Latina, quando comparada a 2019, caiu mais de 70%. Na América do Sul, o número é ainda maior. Dependemos da distribuição das vacinas e ela foi lenta no continente em comparação com outros destinos”, disse Ricardo Caló, vice-presidente da Marriott International nas Américas Central e do Sul, em painel exibido nesta quinta-feira (30) durante o FII Talks 2021, principal evento online sobre fundos imobiliários do país, realizado pelo InfoMoney. “E isso, de certa forma, direcionou as viagens internacionais para países mais seguros em termos de Covid”.

Segundo Caló, nas regiões sob a sua liderança, cerca de 10% dos hotéis do Marriott International ainda não reabriram. Embora nem todos estejam inoperantes até agora por causa da circulação do coronavírus, essa foi a razão original do seu fechamento. “Dependendo do mercado, temos de seguir diferentes restrições. Por vezes, a capacidade de nossos hotéis, restaurantes e espaços de eventos é limitada”.

O segmento de resorts, de acordo com o executivo, é o que melhor tem se recuperado na hotelaria, especialmente no Caribe e no México. Por outro lado, os hotéis que dependiam fortemente de viagens corporativas são os que estão sofrendo mais com as restrições.

No Brasil, também houve impacto nas operações da rede – que, segundo Caló, dependiam de aspectos como a confiança do turista, do sistema de saúde e da distribuição de vacinas. “Estamos progredindo, essa é a boa notícia. O Brasil, como você sabe, tem uma limitação quanto à entrada de passageiros de alguns países e vice-versa, mas isso está começando a ser flexibilizado aos poucos”, disse.

Na visão de Caló, entre os países da América Latina, o Brasil figura em uma posição intermediária no que diz respeito aos efeitos da pandemia sobre o segmento de hotéis. “Não estamos vendo o movimento que gostaríamos de ver, negócios vindo de fora do país”, afirmou. “Mas o Brasil é um país muito forte, com o turismo local e doméstico. Quando o comparamos com nações que fecharam as fronteiras, e só analisamos as viagens nacionais, o Brasil está muito à frente dos outros”.

Apesar do futuro ainda indefinido, o executivo revela que monitora as oportunidades no país. “Tivemos a oportunidade de fechar acordo em Gramado (RS) e existem destinos como Minas Gerais em que não temos presença e esperamos ter hotéis no futuro. O Rio de Janeiro, claro, é sempre um local muito atrativo por conta de tudo o que a cidade oferece. Também observamos Santos e Porto Alegre”.

A pandemia do coronavírus ainda não acabou, mas já impôs mudanças significativas na sociedade. Na indústria hoteleira não tem sido diferente. “Muitas coisas vão mudar daqui para frente. Creio que certas viagens, possivelmente, serão repensadas no futuro. Mas eu realmente acredito que, em determinado momento, as viagens corporativas serão retomadas por causa da importância dos encontros presenciais”, disse Caló. “Nem tanto quanto hoje, mas também nem tanto quanto no passado”.

Para esta nova realidade do setor, Caló afirma que a rede tem investido em protocolos de higiene e tem na tecnologia uma aliada neste trabalho. O executivo destaca algumas implementações como a possibilidade de fazer o check-in usando aplicativos, abrir a porta do apartamento via celular e, nos restaurantes, acessar o cardápio por meio de um QR Code, em vez de uma versão em papel.

“Toda a experiência tem de ser revisada. Dependendo do seu destino, você tem de apresentar prova de vacinação e isso está crescendo. Você tem de fazer teste 24 horas antes da viagem e, após a chegada, provavelmente terá de fazer outro”, explicou. “A experiência como um todo está sofrendo mudanças drásticas. E isso é crucial para todos as partes do setor”, afirmou Caló, lembrando da necessidade de recuperar a confiança do turista.

Segundo ele, é preciso garantir que os hotéis estejam preparados em termos de higiene. “Revisamos todos os nossos protocolos. É um aspecto extremamente importante de nossos serviços. Sempre foi assim, mas quando a pandemia começou, a empresa formou um grupo que constantemente revisa o que tem sido feito para restabelecer a confiança dos nossos hóspedes”, disse o executivo.

Caló lembrou, porém, que o trabalho de oferecer maior segurança aos viajantes é de toda a cadeia do turismo, assim como dos governos. Ele citou, por exemplo, a necessidade de um sistema de saúde que funcione para receber o turista em caso de uma necessidade ou emergência.

“Ainda não estamos vendo o movimento que gostaríamos de ver no Brasil”, diz VP da rede de hotéis Marriott International | InfoMoney

Ricardo Caló, vice-presidente da empresa para as Américas Central e do Sul, falou sobre os desafios atuais do setor hoteleiro no FII Talks 2021

SÃO PAULO – A indústria do turismo foi uma das que mais sofreram com as restrições impostas pela pandemia do coronavírus desde 2020. Nem as grandes empresas do setor escaparam das consequências do período. Foi o caso do Marriott International, que opera uma das maiores redes de hotéis do mundo, com mais de 7.600 propriedades e 1,4 milhão de quartos. As operações da empresa na América Latina chegaram a cair mais de 70% desde a emergência sanitária se estabeleceu.

“Para contextualizar, a situação da América Latina, quando comparada a 2019, caiu mais de 70%. Na América do Sul, o número é ainda maior. Dependemos da distribuição das vacinas e ela foi lenta no continente em comparação com outros destinos”, disse Ricardo Caló, vice-presidente da Marriott International nas Américas Central e do Sul, em painel exibido nesta quinta-feira (30) durante o FII Talks 2021, principal evento online sobre fundos imobiliários do país, realizado pelo InfoMoney. “E isso, de certa forma, direcionou as viagens internacionais para países mais seguros em termos de Covid”.

Segundo Caló, nas regiões sob a sua liderança, cerca de 10% dos hotéis do Marriott International ainda não reabriram. Embora nem todos estejam inoperantes até agora por causa da circulação do coronavírus, essa foi a razão original do seu fechamento. “Dependendo do mercado, temos de seguir diferentes restrições. Por vezes, a capacidade de nossos hotéis, restaurantes e espaços de eventos é limitada”.

O segmento de resorts, de acordo com o executivo, é o que melhor tem se recuperado na hotelaria, especialmente no Caribe e no México. Por outro lado, os hotéis que dependiam fortemente de viagens corporativas são os que estão sofrendo mais com as restrições.

No Brasil, também houve impacto nas operações da rede – que, segundo Caló, dependiam de aspectos como a confiança do turista, do sistema de saúde e da distribuição de vacinas. “Estamos progredindo, essa é a boa notícia. O Brasil, como você sabe, tem uma limitação quanto à entrada de passageiros de alguns países e vice-versa, mas isso está começando a ser flexibilizado aos poucos”, disse.

Na visão de Caló, entre os países da América Latina, o Brasil figura em uma posição intermediária no que diz respeito aos efeitos da pandemia sobre o segmento de hotéis. “Não estamos vendo o movimento que gostaríamos de ver, negócios vindo de fora do país”, afirmou. “Mas o Brasil é um país muito forte, com o turismo local e doméstico. Quando o comparamos com nações que fecharam as fronteiras, e só analisamos as viagens nacionais, o Brasil está muito à frente dos outros”.

Apesar do futuro ainda indefinido, o executivo revela que monitora as oportunidades no país. “Tivemos a oportunidade de fechar acordo em Gramado (RS) e existem destinos como Minas Gerais em que não temos presença e esperamos ter hotéis no futuro. O Rio de Janeiro, claro, é sempre um local muito atrativo por conta de tudo o que a cidade oferece. Também observamos Santos e Porto Alegre”.

A pandemia do coronavírus ainda não acabou, mas já impôs mudanças significativas na sociedade. Na indústria hoteleira não tem sido diferente. “Muitas coisas vão mudar daqui para frente. Creio que certas viagens, possivelmente, serão repensadas no futuro. Mas eu realmente acredito que, em determinado momento, as viagens corporativas serão retomadas por causa da importância dos encontros presenciais”, disse Caló. “Nem tanto quanto hoje, mas também nem tanto quanto no passado”.

Para esta nova realidade do setor, Caló afirma que a rede tem investido em protocolos de higiene e tem na tecnologia uma aliada neste trabalho. O executivo destaca algumas implementações como a possibilidade de fazer o check-in usando aplicativos, abrir a porta do apartamento via celular e, nos restaurantes, acessar o cardápio por meio de um QR Code, em vez de uma versão em papel.

“Toda a experiência tem de ser revisada. Dependendo do seu destino, você tem de apresentar prova de vacinação e isso está crescendo. Você tem de fazer teste 24 horas antes da viagem e, após a chegada, provavelmente terá de fazer outro”, explicou. “A experiência como um todo está sofrendo mudanças drásticas. E isso é crucial para todos as partes do setor”, afirmou Caló, lembrando da necessidade de recuperar a confiança do turista.

Segundo ele, é preciso garantir que os hotéis estejam preparados em termos de higiene. “Revisamos todos os nossos protocolos. É um aspecto extremamente importante de nossos serviços. Sempre foi assim, mas quando a pandemia começou, a empresa formou um grupo que constantemente revisa o que tem sido feito para restabelecer a confiança dos nossos hóspedes”, disse o executivo.

Caló lembrou, porém, que o trabalho de oferecer maior segurança aos viajantes é de toda a cadeia do turismo, assim como dos governos. Ele citou, por exemplo, a necessidade de um sistema de saúde que funcione para receber o turista em caso de uma necessidade ou emergência.

Recuperação de shoppings após a segunda onda é "surpreendente" e vendas retomam níveis de 2019, dizem gestores de FIIs | InfoMoney

Retomada não é homogênea, mas melhor performance de alguns shoppings compensa o desempenho mais fraco de outros

SÃO PAULO – O fechamento de shopping centers ao longo dos períodos mais intensos da pandemia de coronavírus, especialmente durante a primeira onda, abalou fortemente o mercado de fundos imobiliários que investem nesse tipo de ativo. Mas com a saída da segunda onda, a recuperação do setor tem sido “surpreendente” e as vendas nos shoppings têm se aproximado de valores vistos em 2019.

A opinião foi compartilhada por Felipe Gaiad, gestor de fundos imobiliários da HSI, Leandro Bousquet, head de investimentos imobiliários da Vinci Partners, além de Pedro Carraz, sócio responsável pela gestão de FIIs na XP Asset. Eles participaram de um painel sobre o tema durante o FII Talks, principal evento online sobre fundos imobiliários, promovido nesta quinta-feira (30) pelo InfoMoney.

Para Gaiad, da HSI, a recuperação da segunda onda foi bastante diferente da primeira. Segundo ele, na primeira o fechamento dos shoppings durou um tempo muito maior, além do que havia mais incerteza de quanto tempo levaria para que a situação voltasse ao normal.

De acordo com Bousquet, da Vinci Partners, depois que houve um “vale” no setor – ponto mais profundo de queda antes da recuperação – os fundos de shoppings da gestora têm crescido a uma média mensal elevada. “Em julho, por exemplo, tivemos quatro dos 15 shoppings com uma performance acima de 2019. No agregado, ainda estamos abaixo de 2019, mas a volta após a segunda onda tem sido mais forte do que o esperado”.

Embora o movimento de recuperação não seja homogêneo em relação a todos os ativos da carteira, Carraz, da XP Asset, pontuou que os shoppings do portfólio que têm desempenho ruim estão sendo compensados por ativos com melhor performance.

“Nós temos o Cidade Jardim, por exemplo, que por uma questão natural, está vendendo mais do que nunca, com as restrições de viagens. O mesmo vale para o Catarina Fashion Outlet”, destacou Carraz. Segundo o executivo, além do Catarina ser um estabelecimento mais focado em promoções, também ajudou o fato de o empreendimento ser um shopping a céu aberto, um diferencial durante a pandemia.

“Esses shoppings estão com patamar de vendas acima de 2019 e estão compensando os shoppings que estão performando pior. Hoje, temos shoppings que estão performando 30% a 40% acima, enquanto outros estão performando abaixo, estão cerca de 5% a 15% abaixo do nível [de 2019]”, argumentou o gestor da XP Asset.

Ao ser questionado sobre os efeitos da perda de poder de aquisitivo sobre os fundos de shoppings, Bousquet disse que a recuperação da atividade econômica deve compensar o avanço da inflação e o fim do auxílio emergencial, que está previsto para terminar em outubro.

Segundo ele, a razão é que ainda que o auxílio emergencial deixe de ser pago, os indicadores de emprego têm se mostrado mais saudáveis. “O Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados] surpreendeu positivamente e agora a própria Pnad [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios] que não vinha refletindo o bom desempenho do Caged veio abaixo de 14%, após um longo período acima desse percentual”.

Ainda de acordo com o gestor, análises feitas pela gestora apontam que essa taxa de desemprego deve seguir caindo e que a recuperação da atividade econômica deve se refletir cada vez mais em consumo.

Além de comentar sobre os impactos do avanço da inflação, os gestores destacaram que é inevitável que a alta dos juros gere efeitos negativos sobre a indústria de fundos imobiliários.

Para Carraz, da XP, embora o ajuste nos preços das cotas de fundos de shoppings seja mais demorado do que em outros fundos, porque os shoppings são ativos menos líquidos, ele deve ocorrer cedo ou tarde.

Além dos impactos nas cotas, o gestor da XP pontuou que a subida dos juros deve tornar o ambiente de captação dos fundos mais desafiador. “O investidor precisa entender que os fundos de shoppings têm ativos que têm lastro. Há um tijolo por trás. Quem tem um apartamento diretamente não liga para a imobiliária para vender o apartamento quando os juros começam a subir, por exemplo”, destacou.

Segundo ele, o investidor precisa ter o mesmo pensamento com os fundos imobiliários e evitar que haja uma deterioração no mercado secundário, o que acaba dificultando as emissões no curto prazo.

O reflexo disso, pontua Bousquet, é que os fundos imobiliários podem ter que ficar mais alavancados, ou seja, um pouco mais endividados, para fazer novas aquisições.

Gaiad afirma, contudo, que à medida em que a inflação voltar para níveis mais próximos da meta e os juros forem reduzidos, esse aumento da alavancagem tende a diminuir. “Mas para que a alavancagem diminua, nós vamos precisar de estabilização monetária e de maior crescimento econômico”.

O lado perigoso do ESG e outras reflexões de mercado, com Ruy Alves | InfoMoney

Petróleo, tech bubble, ESG (sem o S), darwinismo, Warren Buffett, Beatles, Howard Marks, cobre, petróleo, inflação americana, pânico e um pouco mais

CONDADO DA FARIA LIMA –  Após sete vindas no Coffee & Stocks, finalmente recebemos Ruy Alves, gestor de global macro na Kinea, no “palco principal” do Stock Pickers.

Comentando diversos temas atuais e alguns bem polêmicos, o gestor que começou sua carreira na KPMG ainda na década de 90 falou sobre o dilema entre ESG e a necessidade de energia, o esfriamento da economia chinesa e a visão dos investidores gringos sobre o Brasil.

Apesar das críticas à forma com que alguns encaram a questão da transição energética atualmente, Alves ponderou que a direção está correta, mas é preciso levar em consideração a responsabilidade social também, porque uma transição mal feita pode gerar impactos negativos na vida de milhões de pessoas.

Confira a entrevista completa no vídeo acima, direto em nosso canal no YouTube ou no Spotify.

Gestores de fundos imobiliários veem sinais de retorno aos escritórios e apostam em ganho de capital no longo prazo | InfoMoney

Custo de construção em São Paulo gira em torno de R$ 18 mil por metro quadrado, enquanto FIIs negociam a R$ 12 mil na B3, calcula Caio Castro, da RBR

SÃO PAULO – Após um ano e meio de pandemia, há um consenso de que, entre os fundos imobiliários, o segmento de lajes corporativas foi um dos mais afetados. Atendendo às necessidades do período, o home office ganhou força e deu origem ao questionamento sobre o futuro dos escritórios.

O tema foi tratado por André de Abreu Pereira, sócio e CEO da Tellus; Carlos Martins, sócio e gestor de fundos imobiliários da Kinea; e Caio Castro, sócio e membro do Comitê de Investimentos da RBR Asset, em um dos painéis do FII Talks 2021, principal evento sobre fundos imobiliários do país, realizado pelo InfoMoney.

“No começo, nos questionávamos: será que o escritório vai ser a nova máquina de escrever ou a nova câmera fotográfica, que ninguém mais usa? E hoje está totalmente claro que, provavelmente, não”, disse Pereira. “O que aconteceu com o mercado imobiliário mundial nos últimos 16 meses foi um período muito marcante”.

Martins, da Kinea, lembrou que muitas empresas, afetadas economicamente pela pandemia, tiveram de entregar os escritórios, especialmente as companhias que cortaram pessoal. Por outro lado, ressaltou que houve um movimento contrário durante o período. “Grandes empresas que não passaram por estes problemas basicamente mantiveram seus escritórios alugados e continuaram contratando pessoas. E hoje, se todos voltarem para o escritório, não caberá todo mundo”, disse.

Ao mesmo tempo em que a expectativa de retorno ao escritório cresce entre os gestores de fundos imobiliários ligados ao segmento de lajes corporativas, ganha força a discussão sobre como será o retorno. A adoção de um modelo híbrido, dividindo o expediente entre o home office e o ambiente corporativo, lidera as apostas.

“Já sabemos que, com a tecnologia, é possível você trabalhar a distância. Dependendo da atividade, haverá uma alocação maior em casa”, disse Martins. “Mas não tenho dúvida de que as pessoas também querem voltar ao escritório. Resta saber a quantidade de dias que elas querem ficar em casa”.

O fortalecimento da cultura corporativa e a integração da equipe estão entre os principais argumentos dos que consideram o retorno ao escritório inevitável, mesmo em um modelo híbrido. Pereira, da Tellus, foi além. “Não conheço nenhuma empresa que teve crescimento relevante tendo funcionários trabalhando isolados, cada um em sua casa”.

Os gestores reconhecem que a pandemia do coronavírus e a atual experiência com o home office trouxeram mudanças definitivas para as pessoas. Segundo eles, os novos hábitos exigirão adaptações relevantes no ambiente corporativo. Muitos apostam em espaços mais voltados para convivência e reuniões e que respeitem protocolos sanitários.

“Eu acho que se a empresa trabalhar um ou dois dias em home office, vai precisar ter área de um jeito diferente, mas sem reduzir o espaço”, avaliou Castro. “Talvez a empresa necessitará até de mais área porque precisaremos agora ter mais metros quadrados por pessoa. Então, acho que nós vamos viver agora uma retomada dos escritórios bem forte”.

Na avaliação dos gestores, o gatilho para o retorno ao escritório era a vacinação contra o coronavírus. Na medida em que a imunização avança, afirmam, é possível perceber aumento na procura por novos espaços.

“Em setembro, nós tivemos duas vezes mais visitas aos nossos imóveis do que tivemos no mês de agosto”, disse Castro, da RBR. “Na nossa cabeça, isso é uma demonstração de que a vida está voltando ao normal e as empresas começam a se preocupar com escritórios”.

Diante do otimismo com o possível retorno aos escritórios, cresce a expectativa de valorização dos fundos imobiliários que investem em lajes corporativas. Com a defasagem nos preços dos imóveis ocorrida no período de pandemia, a retomada do segmento é vista como uma oportunidade.

“Está se abrindo uma oportunidade de comprar ‘tijolo’ por um preço que a gente vê a cada cinco ou dez anos”, enfatizou Castro.  “O mercado tende a buscar dividendos, mas, se fizermos a conta, há uma oportunidade de ganho de capital que eu vi só na última grande crise”.

Segundo ele, tendo como referência o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), o metro quadrado de construção de novas lajes corporativas custa cerca de R$ 18 mil atualmente em São Paulo, bem acima dos valores negociados atualmente pelos fundos imobiliários na Bolsa.

“Hoje, [nos fundos imobiliários] na B3, você vai pagar em torno de R$ 12 mil o metro quadrado”, detalhou Castro. “A brincadeira que eu faço é: você venderia seu imóvel hoje com desconto de 20% e pagaria 17% a mais no valor original para comprar um novo?”.

Além do desconto no valor das cotas, os gestores ainda lembram que o repasse da inflação para os valores dos aluguéis ainda não ocorreu, o que seria mais um atrativo para o segmento de FIIs de lajes corporativas.

Em relação aos riscos, Martins, da Kinea, destacou fatores externos ao setor que preocupariam os investidores, mas não prejudicariam os fundamentos dos FIIs. “Ano que vem teremos eleições e, naturalmente, haverá volatilidade. Mas isso é humor, não tem nenhuma ligação com o mercado imobiliário, embora acabe afetando as cotações”, explicou.

Depois de uma queda de mais de 10% em 2020, o Ifix – índice que reúne os principais fundos imobiliários da Bolsa – acumula perdas superiores a 5% em 2021. Para quem tem dúvida sobre entrar ou permanecer no segmento por causa do desempenho ou da volatilidade, Castro deixou uma sugestão dos mais experientes.

“Nossos pais sempre diziam que a maior proteção contra a inflação são os imóveis. E estamos vendo, na Bolsa de valores, o contrário”, afirmou. “Os valores das cotas caíram e a inflação subiu. Então, isso só aumentou a oportunidade para entrar agora e ter um retorno quando ajustar. Porque sempre ajusta”.