quinta-feira, 1 de julho de 2021

Em alta entre os investidores, aspectos ESG não geram retorno adicional aos portfólios, mostra estudo do BofA

Investimentos ESG ganham tração na América Latina, mas falta de dados ainda dificulta análise, destaca banco americano

SÃO PAULO – Com os investidores cada vez mais atentos às práticas sociais, ambientais e de governança ao alocar seus recursos, empresas com melhores princípios ESG tendem a ganhar mais espaço nas carteiras.

No entanto, ainda que apresentem melhores fundamentos e contribuam para mitigar o risco do portfólio, maiores níveis ESG não implicam necessariamente retornos mais elevados. É o que mostra estudo do Bank of America (BofA).

Em relatório divulgado nesta semana, o banco americano aponta que, nos últimos cinco anos, os índices ESG não apresentaram desempenho acima do registrado em relação aos demais índices de ações.

No caso do Brasil, o banco americano cita que empresas com maior risco ESG (pior perfil) apresentaram, desde 2016, desempenho superior às de menor risco, enquanto a volatilidade foi praticamente a mesma.

O fato de que o rali de 2018 a 2019 foi liderado por companhias de materiais e estatais que têm, no geral, maiores riscos ESG, foi apontado pela equipe do BofA como uma provável razão que contribuiu para o resultado apresentado.

No documento, os especialistas do banco americano explicam ainda que, mais do que seguir critérios socioambientais, a geração de alfa está sujeita a uma variedade de múltiplos fatores tais como entradas de recursos, fundamentos das empresas, catalisadores de crescimento e, mais importante, valuation, que tende a ser já mais elevado em companhias com melhores critérios ESG, assinala o banco.

De todo modo, o foco dos investidores, destaca o BofA, deve estar nos fundamentos das empresas e não no alfa em potencial. Além disso, os critérios ESG são, na visão dos especialistas, a melhor forma de obter sinalizações quanto ao risco do investimento, bem como fatores de qualidade. “É importante, contudo, não pagar mais caro para ‘boas’ empresas”, reforçam os analistas.

Segundo o BofA, no Brasil, as empresas com melhor perfil ESG têm, em média, menor volatilidade nos lucros – isso é verdadeiro, contudo, para setores com maior valor de mercado, como companhias financeiras, de materiais, energia e consumo.

A tabela abaixo destaca diversos nomes dos setores financeiro, consumo discricionário e de bens de consumo. Os segmentos de materiais e energia, que representam grande parte dos índices de ações da América Latina, não aparecem na lista.

Foram consideradas empresas que possuem ratings BBB ou acima, no MSCI ESG, que estão no top 40% da Refinitiv, ou que estejam nos últimos 40% do Sustainalytics ESG Risk.

Fundos ESG no Brasil ainda são pequenos, mas os fluxos têm crescido. Segundo dados da Economatica levantados pelo BofA, fundos brasileiros categorizados como ESG possuem R$ 7 bilhões em ativos sob gestão, o que representa menos de 1% do total sob gestão da indústria local de fundos de ações.

As entradas aceleraram desde 2019, quando o mercado somava R$ 5 bilhões, mas ainda são pequenas quando comparadas à captação de fundos de ações, da ordem de R$ 190 bilhões no intervalo.

Em março, os ativos sob gestão dos mais de 1,9 mil fundos ESG monitorados pelo BofA no mundo atingiram recorde de US$ 1,3 trilhão, mais do que o dobro do registrado há um ano e três vezes mais do que o apresentado em 2019.

De acordo com o levantamento do BofA, 78% dos investidores latino americanos consultados consideram os critérios ESG ao tomarem decisões de investimento, seja adotando critérios qualitativos ou desenvolvendo índices internamente.

O mercado, contudo, ainda carece de dados, o que dificulta uma análise mais aprofundada e certeira das melhores empresas, avalia o banco.

O BofA destaca que empresas terceirizadas, como Refinitiv, MSCI e Sustainalytics, resumem uma série de critérios sociais, ambientais e de governança em notas. Enquanto isso reduz análises subjetivas, tende a penalizar empresas com poucas informações, escreve o banco.

“Na América Latina, isso significa lidar com dados faltantes e uma maior exposição a vieses, uma vez que as notas ESG tendem a ser melhores para empresas grandes e internacionais”, avalia o BofA.

Ainda que seja importante para a análise ESG que as empresas divulguem o maior número de dados possível, o BofA afirma que isso ainda não pode ser aplicado na América Latina, pelo fato de os investimentos em ESG estarem ainda em estágio inicial.

“Do lado positivo, a América Latina pode ter bastante espaço para melhorar seus níveis de informações com o crescimento dos padrões ESG na região”, escreve o banco americano.

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Tesouro Direto: taxa de custódia sobre o valor investido em títulos públicos será cobrada nesta quinta-feira

Cobrança ocorre duas vezes ao ano, nos primeiros dias úteis de janeiro e de julho, e valor é pago à B3

SÃO PAULO – O investidor com aplicações em títulos públicos por meio do Tesouro Direto deve se preparar para a cobrança do único custo obrigatório que recai sobre o programa.

Nesta quinta-feira (1), será feita a cobrança pela B3 da taxa de custódia, que corresponde a 0,25% ao ano, com divisão em duas parcelas de 0,125%, e recai sobre o valor total aplicado pelo Tesouro.

O custo é referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos. A taxa é provisionada diariamente a partir da liquidação da operação de compra e, por isso, é cobrada proporcionalmente ao período em que você mantiver o título.

O montante devido precisa estar disponível para débito em sua conta da corretora ou do banco e só será cobrado caso o valor ultrapasse R$ 10,00. Se o montante devido for inferior ao mencionado, ele será acumulado à cobrança no semestre seguinte.

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A taxa de custódia é sempre cobrada nos primeiros dias úteis de janeiro e de julho.

A única isenção é dada para investimentos no título Tesouro Selic até o valor de R$ 10 mil, com cobrança nesse caso apenas sobre os valores que excederem o montante, por investidor (CPF). Desde o início deste mês, investidores com saldo acima de R$ 5 milhões no Tesouro Direto, que eram isentos da cobrança de taxa de custódia, perderam o benefício.

O Tesouro Direto já enviou e-mails aos investidores alertando sobre a cobrança, com os valores a serem pagos a cada instituição financeira nas quais houver alguma aplicação em títulos públicos.

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Tesouro Direto: títulos públicos têm queda de até 6,50% dos preços em junho e de mais de 13% no semestre

Pressão inflacionária, continuidade do movimento de elevação da Selic pelo Banco Central e noticiário político mais conturbado movimentaram o mês

SÃO PAULO – Em queda desde o início do ano, os preços dos títulos públicos negociados via Tesouro Direto atualmente disponíveis para compra voltaram a apresentar baixa em junho. O aumento dos prêmios teve como pano de fundo novas fontes de pressão sobre a inflação, a continuidade do movimento de elevação da taxa Selic pelo Banco Central e um noticiário político mais conturbado, no Brasil.

No grupo dos títulos atrelados à inflação, a queda chegou a 6,50% no caso do papel Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045, cujo retorno real pago subiu para 4,14%. No primeiro semestre, os preços desses títulos acumularam queda de 13,10%. Vale lembrar que toda vez que os preços caem, as taxas pagas pelos papéis aumentam.

A segunda maior baixa do mês partiu do Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035, com queda de 3,50% em junho e de 5,61%, no ano.

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Entre os prefixados, as quedas de junho foram mais modestas, de até 0,35% no caso do papel com vencimento em 2026. No semestre, contudo, esse título também ficou com rendimento negativo, de 6,25%.

Dessa forma, todos os títulos públicos do levantamento perderam para a variação do CDI em junho, de 0,31%, assim como todos ficaram com retornos negativos no semestre, ante uma variação de 1,28% do principal referencial das aplicações mais conservadoras.

Já no acumulado de 12 meses, com perda da ordem de 3%, apenas o Tesouro Prefixado 2026 perde para o CDI, que teve variação de 2,28% no intervalo.

Confira a seguir como se comportaram os títulos públicos disponíveis para novos investimentos em junho, no semestre e em 12 meses.

É importante lembrar que o investidor só terá as perdas ou os ganhos apontados se efetivamente vender os papéis antecipadamente. Se carregá-los até o vencimento, o retorno vai respeitar as taxas e as condições contratadas no momento de aquisição dos títulos.

Entre os destaques de junho esteve a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de elevar em 52% o preço da bandeira vermelha patamar 2 para julho.

A projeção mais recente do mercado financeiro compilada pelo Banco Central no relatório Focus – que ainda não incorporou a decisão da Aneel – aponta para uma alta de 5,97% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, bem acima dos 5,31% de um mês antes.

Prévia da inflação oficial, o IPCA-15 subiu 0,83% em junho, em aceleração após registrar alta de 0,44% em maio de 2021. No ano, o IPCA-15 acumula aumento de 4,13% e, em 12 meses, de 8,13%.

Diante da alta dos preços, o mercado também vem ajustando a projeção para os juros básicos, com a estimativa para a Selic ao fim de 2021 elevada de 5,75% para 6,50% em um mês. No mesmo sentido, em meio à expectativa de aceleração da vacinação no país, a previsão no Focus para o crescimento da economia brasileira aumentou de 3,96% para os atuais 5,05% neste ano.

Em paralelo, o ambiente político tem sido pautado pelas discussões acerca da reforma tributária e também pelo andamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que apura ações e omissões da gestão do presidente Bolsonaro durante a pandemia e repasses de verbas federais para estados e municípios.

E as preocupações com inflação não são exclusividade do Brasil. Nos Estados Unidos, o mercado segue atento aos próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central, em direção a um aumento de juros e à retirada dos estímulos monetários assumidos na pandemia.

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Xi Jinping alerta contra assédio estrangeiro em meio a centenário do Partido Comunista da China

Xi prometeu fortalecer militares chineses, comprometeu-se com "reunificação" de Taiwan e disse que a estabilidade social será garantida em Hong Kong

PEQUIM (Reuters) – O presidente da China, Xi Jinping, alertou nesta quinta-feira que forças estrangeiras que tentam assediar o país “serão golpeadas na cabeça”, e saudou um “mundo novo” criado por seu povo no momento em que o Partido Comunista comemora o centenário de sua fundação.

Em um discurso de uma hora na Praça da Paz Celestial, Xi prometeu fortalecer os militares chineses, comprometeu-se com a “reunificação” de Taiwan e disse que a estabilidade social será garantida em Hong Kong, ao mesmo tempo em que se protege a segurança e a soberania da China.

“O povo da China não é bom somente em destruir o mundo antigo, ele também cria um mundo novo”, disse Xi, o líder chinês mais poderoso desde Mao Tsé-Tung, o fundador da República Popular. “Só o socialismo pode salvar a China.”

Xi e o partido estão em alta agora que o país se recupera rapidamente do surto de Covid-19 e assume uma postura mais afirmativa no palco global.

Mas Pequim enfrenta críticas externas à sua repressão em Hong Kong e ao tratamento de minorias étnicas em Xinjiang, e está lidando com uma perspectiva de declínio demográfico que ameaça o crescimento econômico de longo prazo.

Uma pesquisa de 17 economias avançadas divulgada na quarta-feira pelo Centro de Pesquisa Pew dos Estados Unidos mostrou que as opiniões sobre a China continuam amplamente negativas e que a confiança em Xi atinge baixas históricas.

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Quer trocar de emprego? Atitude e conhecimento podem te fazer assessor de investimentos

Sim, é preciso saber de economia, mas um bom assessor de investimentos é aquele que sabe traduzir o mercado para seus clientes

Em contexto de queda da taxa de juros, investidores buscam cada vez mais alternativas à renda fixa, apostando no investimento em fundos, ações e outros ativos de renda variável. Mas como saber no que investir e qual o melhor timing? Se você ainda não tem a resposta para estas perguntas, um assessor de investimentos pode te ajudar.

A profissão de assessor de investimento ainda engatinha no Brasil, com cerca de 5% dos investimentos do país feitos via assessoramento de um profissional da área. Para efeito de comparação, esse número está em torno de 95% nos Estados Unidos, segundo Bianca Juliano, CCO da Xpeed School.

Diante de um mercado ainda pouco explorado no Brasil, Bianca vai ministrar o curso “Carreira no Mercado Financeiro”, que trará aos alunos a perspectiva de se trabalhar no mercado financeiro como assessor de investimentos, com lições sobre questões técnicas, mas principalmente sobre relações interpessoais.

O curso é gratuito e busca desmitificar a noção de que apenas pessoas com inclinação para a área de exatas podem assumir cargos no mercado financeiro. Inscreva-se agora.

“Um bom assessor de investimentos precisa não só conhecer o mercado financeiro, macroeconomia e as classes dos ativos, mas também ter atitude proativa para se relacionar com pessoas. É preciso se comunicar de forma fácil e acessível tanto para aqueles que são seus clientes quanto para quem você está tentando transformar em cliente,” explica Bianca.

Por conta do foco nas relações interpessoais, o curso oferece módulos com fonoaudiólogas, pessoas para ajudar a falar em público e aulas de personal branding para auxiliar o aluno a se posicionar melhor para captar clientes.

A busca ativa por clientes é parte vital do trabalho de um assessor de investimentos, que tem sua remuneração muitas vezes baseada na quantidade e na qualidade de seus clientes. De nada adianta um vasto conhecimento técnico se o assessor não consegue captar novos investidores. O contrário também é verdadeiro, já que você precisa apresentar bons resultados para manter os clientes.

A necessidade de conciliar conhecimento técnico com boa comunicação faz com que o assessor de investimento precise aprimorar três habilidades: conhecimento, habilidade e atitude.

“Quem só sabe a parte técnica não vai se dar bem na profissão porque a parte comercial é necessária para traduzir o mercado para o cliente da melhor maneira,” disse Felipe Gualberto, que se tornou assessor após o curso.

Felipe Gualberto é um dos muitos exemplos de pessoas que hoje atuam como assessores financeiros, mas cuja carreira não começou no mercado financeiro.

“Trabalhei durante 12 anos na área de logística, caí nessa área aos 18 anos e fiquei até os 30, quando resolvi me dedicar a algo que gostava muito, que era o setor de investimentos. Comecei a me preparar financeiramente para sustentar a transição, já que iria sair de uma posição consolidada para uma nova função,” disse Felipe, que conseguiu em um primeiro momento conciliar o emprego antigo com os estudos, mas depois teve que abdicar do emprego de anos para se dedicar a nova função.

Para sua sorte, antes mesmo de terminar o curso, Gualberto já conseguiu emprego. “Fui empregado quase no último módulo do curso, depois da feira de carreiras [evento organizado pela Xpeed para fazer a conexão entre alunos e empresas].”

O caso de Felipe não é exceção e aconteceu também com Mateus Galhardo, formado em direito em 2015 e que hoje trabalha como assessor na 3A Investimentos. Ele realizou sua transição de carreira após os cursos da Xpeed e também foi empregado na área antes do final das aulas.

“Comecei o curso em maio de 2020 e me programei para em novembro conseguir tirar a certificação da Associação Nacional das Corretoras de Valores (ANCORD, que regulamente a atuação de agentes autônomos no Brasil). Consegui o certificado e através do MBA da InfoMoney consegui entrar em contato com escritórios da área. Em janeiro estava começando um novo emprego em um novo setor,” disse Mateus.

Questionado sobre se arrepende de não entrar nesta área antes, Galhardo diz que tudo tem seu tempo. “Não me arrependo de ter feito direito, minha vivência no judiciário trouxe senso crítico. Tudo aconteceu na hora certa.”

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Dominguetti confirma à CPI acusação que ex-servidor pediu propina de U$S 1 por dose de vacina

Representante da empresa Davati Medical Supply, Dominguetti disse que foi oferecido ao ministério a venda de cada dose por US$ 3,50

BRASÍLIA (Reuters) – Apontado como revendedor de vacinas, Luiz Paulo Dominguetti confirmou nesta quinta-feira à CPI da Covid do Senado que o então diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, pediu-lhe propina no valor de 1 dólar por dose para acertar a aquisição pela pasta de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca contra Covid-19.

Representante da empresa Davati Medical Supply, Dominguetti disse que foi oferecido ao ministério a venda de cada dose por 3,50 dólares. Contudo, Dias cobrou-lhe um adicional de um dólar para cada dose.

“Pedido dessa majoração foi exclusivamente do senhor Roberto Dias”, afirmou ele à CPI.

“Nunca se buscou uma facilidade por parte dele. Essa facilidade não ocorreu porque ele sempre colocou o entrave no sentido de que, se não se majorasse a vacina, não teria aquisição por parte do ministério”, reforçou.

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O representante da empresa confirmou à CPI o relato que fez em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Roberto Dias foi exonerado do cargo logo após a revelação do jornal.

Dominguetti, que é cabo da ativa da Polícia Militar de Minas Gerais e disse atuar como representante para complementar renda, afirmou que recusou a oferta e depois deixou o encontro que tiveram, num restaurante localizado em um shopping em Brasília, onde o pedido de pagamento de propina teria sido feito.

Ele também disse não saber quantas doses da vacina da AstraZeneca contra Covid-19 a Davati possuía, alegando que essas informações eram confidenciais e pertencentes à empresa que afirma representar.

Expansão da indústria do Brasil ganha força em junho e tem ritmo mais forte em 4 meses, mostra PMI

PMI industrial do Brasil subiu a 56,4 em junho, ante de 53,7 em maio

SÃO PAULO (Reuters) – O crescimento do setor industrial do Brasil acelerou em junho e chegou ao maior nível em quatro meses, com aumento das vendas e da produção e fortalecimento da confiança, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

A IHS Markit divulgou nesta quinta-feira que seu PMI da indústria brasileira avançou a 56,4 em junho, de 53,7 em maio, nível mais elevado desde fevereiro e bem acima da marca de 50, o que indica crescimento.

“Os resultados do PMI de junho apresentaram outro conjunto de desfechos positivos no setor industrial brasileiro. Apesar da batalha contínua contra outra onda de casos da Covid-19, as empresas viram seus pedidos aumentarem substancialmente em relação ao mês passado”, afirmou em nota a diretora associada da IHS Markit, Pollyanna De Lima.

O setor apontou fortalecimento da demanda em junho, com a entrada de novos negócios em alta pelo segundo mês seguido.

Esse resultado teve como base o aumento dos pedidos de exportação pelo quinto mês consecutivo e no ritmo mais rápido desse período. Os participantes da pesquisa citaram a retomada da atividade normal dos clientes no exterior e a oferta de itens escassos em outros lugares como razão para a expansão.

Diante do aumento de novos pedidos, os fabricantes brasileiros elevaram a produção, superando a média de longo prazo da pesquisa.

A força da demanda também ajudou na criação de novas vagas de trabalho no setor industrial, com a taxa de aumento sendo a mais alta em sete meses.

“A resiliência do setor industrial alimentou o mercado de trabalho, já que as empresas estavam confiantes na retomada e contrataram mais trabalhadores”, disse De Lima.

O mês ainda registrou a expansão mais intensa da compra de insumos desde fevereiro, com os fabricantes buscando se proteger contra a escassez de insumos.

Mas os preços de insumos registraram nova alta, com muitas empresas citando a falta de matéria-prima, com destaque para metais, embalagens, plásticos e semicondutores.

Com as margens sob crescente pressão, os aumentos dos custos foram repassados aos clientes, com a taxa de inflação de venda sendo uma das mais intensas desde o início da coleta de dados no começo de 2006.

“Além da COVID-19, a escassez de matéria-prima continua sendo um risco-chave de queda para a recuperação do setor… Como os custos adicionais continuam sendo transferidos para os preços de venda, a força da demanda será testada nos próximos meses”, alertou De Lima.

Ao longo do próximo ano, os fabricantes registraram previsões de crescimento da produção, com o nível de sentimento positivo no patamar mais elevado em seis meses.

O otimismo se deve às expectativas de maior disponibilidade de vacinas e de que a pandemia recue, e as empresas pretendem aumentar o marketing e preveem crescimento dos investimentos.

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